A Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo está prestes a elucidar um importante capítulo do caso: o desaparecimento do celular da vítima. O telefone até hoje não foi localizado, mas a polícia informou que conseguiu recuperar os dados do aparelho.



Fontes ligadas à investigação e ouvidas pelo G1 confirmaram que os investigadores tiveram acesso ao histórico de conversas e arquivos do celular.

Ainda segundo a investigação, os policiais estão próximos de obter informações sobre o paradeiro do celular, incluindo os dias em que o aparelho foi acessado e utilizado. A Delegacia de Homicídios espera identificar por quais mãos o celular passou até ser, de fato, inutilizado.

A equipe da delegada Barbara Lomba, que investiga o caso, conseguiu restaurar recentemente as configurações do aparelho e, com isso, teve acesso a importantes informações que dizem respeito a conversas, agendas e documentos particulares da vítima.

A polícia analisa agora conteúdos que dizem respeito a questão familiares, já que as desavenças entre parentes são tratadas como uma das linhas de investigação para o crime. Entre os vários mistérios que envolvem o crime, o desaparecimento repentino do telefone parecia contribuir para uma possível obstrução de provas e causava estranheza aos investigadores.

Dois filhos do casal foram indiciados pelo crime e estão presos. Flávio dos Santos Rodrigues e Lucas dos Santos de Souza foram indiciados por crime de homicídio qualificado. O inquérito foi desmembrado, e a polícia deu início à segunda fase da investigação para identificar a participação de possíveis coautores no crime.

Várias pessoas acessavam celular

Ao menos três depoimentos diferentes ligam a deputada federal Flordelis (PSD) ao aparelho celular do pastor Anderson do Carmo, assassinado no dia 16 de junho, com vários tiros, na garagem da casa da família, em Pendotiba, Niterói, Região Metropolitana do Rio.

A deputada sempre sustentou que o aparelho do marido desapareceu depois do crime, e que ela não teve contato com o celular.

Michele, uma das irmãs de Anderson, disse para a polícia que, no dia do crime, estava no quarto de Flordelis e observou quando a namorada de Daniel, único filho biológico do casal, entregou para a deputada um celular pequeno e cinza. Segundo o depoimento, Michelle tem absoluta certeza que esse seria o telefone do pastor.

Daniel confirmou para a polícia a versão de Michele. O rapaz disse ainda que viu o celular na cena do crime, junto com a carteira de Anderson e o controle remoto do portão da garagem.

O filho de Anderson contou que pegou o telefone no chão para ligar para a família de sua namorada, Emanuela.

Segundo o depoimento, Daniel estava com o aparelho quando foi para o hospital para onde o pai foi levado. Ele teria entregado o celular para Emanuela assim que os dois voltaram para a casa. Em seguida, ela repassou o aparelho para a pastora Gleice, uma amiga da família. Segundo Daniel, depois disso ele não viu mais o telefone do pai.

Já de acordo com o depoimento do vereador de São Gonçalo Wagner Andrade Pimenta, conhecido como Misael, outro filho adotivo de Flordelis e Anderson, a deputada federal pegou o telefone do marido no mesmo dia de seu enterro.

Misael contou que no dia do assassinato, por volta das 19h30, ele estava na igreja Ministério Flordelis, em São Gonçalo, quando foi procurado pelo motorista da mãe, Márcio da Costa Paulo, conhecido como Buba. O motorista disse que estava com o telefone de Anderson do Carmo.

No dia seguinte, logo depois do enterro, por volta de 12h30, Misael perguntou a Buba sobre o telefone. A resposta do motorista foi que Flordelis tinha acabado de pedir o celular e ele teria entregado. Em outra parte do depoimento de Misael, o filho da deputada do PSD diz acreditar que Flordelis foi a mentora intelectual da morte do marido, o pastor Anderson.

'Nós quebramos o cel do Niel'

À polícia, Misael contou ainda que durante uma reunião no quarto da mãe, dias após a morte, ela teria escrito em um caderno os dizeres "Nós quebramos o celular do Niel e jogamos na ponte Rio-Niterói".

Niel era o apelido de Anderson na família. Em depoimento, o vereador afirma ainda que o caderno passou pelas mãos de sua esposa, Luana, e de Daniel dos Santos, seu irmão.

Celular foi usado

Ao longo das investigações, a polícia descobriu que o telefone celular do pastor foi utilizado horas depois de sua morte. Pelo menos, duas mensagens foram repassadas do aparelho. O G1 teve acesso ao conteúdo encaminhado a grupos de amigos.

As mensagens foram repassadas às 9h e às 10h07 de domingo (16). Anderson foi assassinado na madrugada de domingo (16). O enteado Flávio dos Santos e o filho adotivo Lucas dos Santos foram denunciados pelo crime.

Em nota, a Polícia Civil informou que o caso está sob sigilo.

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