No ranking da redução da mortalidade infantil, país fica em 2º entre nações em desenvolvimento


Para definir quais países tratam melhor as suas mães e os seus bebês, a ONG utilizou dados das Nações Unidas e estudos demográficos sobre mortandade infantil, saúde materna, acesso a educação, índices econômicos e participação política feminina.
Em um ranking a parte feito apenas com os 12 países em desenvolvimento que têm melhorado de forma mais expressiva seus índices de mortalidade infantil nos últimos 20 anos, o Brasil fica em segundo lugar. Ainda assim perde para o Peru, país com menos recursos.
Este é o décimo quarto ano que a ONG publica esse relatório geral. Nesse período, o Brasil melhorou o índice de mortalidade infantil em 60%.

"Os nós críticos do Brasil são a falta de pediatras neonatologistas e a qualidade do pré-natal", diz o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

No entanto, o ministro não consegue justificar por que o Brasil ficou abaixo do Peru.


"Na verdade, estamos quase empatados, a diferença foi de apenas 1% de melhora para o lado deles", afirma.

Em 1996, apenas 30% das mães carentes (as 20% mais pobres do país) tinha acesso a parto hospitalar. Em 2011, o índice passou para 97%.

"Nos últimos anos, investimos muito para ampliar a cobertura e dar assistência neonatal para mais mulheres, mas ainda não estamos satisfeitos com a qualidade. Falta melhorar o atendimento das mães adolescentes, das que estão acima dos 40 anos e das dependentes químicas", diz Padilha.

Segundo o ministro, há um déficit de pediatras neonatologistas no sistema público.
Em 2011, o Ministério da Saúde passou a financiar a abertura de 59 vagas com bolsas de R$ 2.350 em residência médica para profissionais com interesse em se especializar nessa área.
O governo, no entanto, não soube precisar quantos profissionais faltam no SUS.

CRITÉRIOS

O relatório da Save the Children não é um mero indicador de mortalidade infantil, diz Jasmine Whitbread, presidente da ONG.
"Avaliamos outros critérios que dão uma dimensão real das dificuldades enfrentadas por mães e crianças em cada país. Participação política é um dos dados considerados porque percebemos que, nos lugares onde as mães não têm voz na vida pública, a saúde e a educação são piores, os problemas delas e de seus filhos demoram a ser solucionados", afirma.
Os Estados Unidos tiveram o pior resultado entre os países industrializados. Eles são ainda os campeões em casos de gravidez adolescente entre os países ricos.
Segundo o relatório, estresse, pobreza e racismo no sistema de saúde norte-americano estão entre os motivos do mau desempenho. Bebês prematuros de mães negras e de origem porto-riquenha são as maiores vítimas.
Entre os dez primeiros colocados do ranking geral só há um país fora da Europa, a Austrália. Já os dez países que foram mais mal avaliados são todos africanos.

"A África subsaariana é o único lugar do mundo onde a situação tem piorado em vez de melhorar. Se não forem tomadas medidas drásticas, vai demorar 150 anos para esses países chegarem ao nível europeu", afirma Whitbread.

Em 2011, a região da África subsaariana apresentou um aumento de 10% no total de mortes de recém-nascidos em relação a 1990.
No mundo todo, 1 a cada 30 mães morre de causas relacionadas ao parto, e 1 a cada 7 crianças não chega a completar cinco anos.
A principal causa para morte de bebês são complicações em decorrência de nascimentos prematuros, que representa 35% das mortes.

Fonte: Folha de S. Paulo - Via: Folha Gospel