Falsos Convertidos: O Suicídio da Igreja

Mark Dever alerta sobre o perigo de deturparmos ou amenizarmos a mensagem do evangelho para tornar ele mais palatável para o homem moderno.


Essa tendência de alterar o evangelho ou apresentar os benefícios de ser um cristão ao se evangelizar de vez de apresentar o evangelho (aquilo que Cristo fez), somada a tendência pragmática moderna (vale tudo para colocar as pessoas dentro da igreja) tem gerado multidões de natimortos espirituais, pessoas que “levantaram a mão aceitando Jesus, mas não tem a mínima ideia do que isso significa”. 


Em seu livro, Nove Marcas de Umna Igreja Saudável, Mark Dever fala sobre o assunto:

Um dos erros mais comuns e perigosos é confundir os resultados da evangelização com a própria evangelização. Este talvez seja o mais sutil de todos os entendimentos errôneos acerca da evangelização. Se você combinar este entendimento errôneo — pensar que a evangelização é o seu próprio fruto — com um entendimento diferente daquele que expusemos nos capítulos anteriores que tratam do evangelho e da conversão, então, é bem possível que você acabará pensando não somente que evangelização é apenas ver os outros convertidos, mas também que está em seu próprio poder o converter os outros. Esta maneira de pensar pode levá-lo a se tornar manipulador.
Quem pode negar que muito da evangelização moderna se tornou emocionalmente manipuladora, buscando obter apenas uma decisão imediata da vontade do pecador, negligenciando a idéia bíblica de que a conversão é o resultado da graça de Deus para com o pecador?

A chamada cristã para evangelizar é uma chamada. Não é somente persuadir as pessoas a fazerem uma decisão; pelo contrário, é uma chamada para anunciar-lhes as boas novas da salvação em Cristo Jesus, para chamá-las ao arrependimento e dar a Deus a glória pela regeneração e pela conversão. Não falhamos em nossa evangelização se apresentamos com fidelidade o evangelho e, apesar disso, a pessoa não se converter. Falhamos somente se não apresentarmos o evangelho com fidelidade.
Conforme ensinam as Escrituras, a evangelização não pode ser definida em termos de resultados ou métodos, mas somente em termos de fidelidade à mensagem pregada. Em Atos dos Apóstolos, você encontrará ocasiões em que Paulo pregou o evangelho e poucos se converteram. No grande congresso de evangelização em Lausanne, em 1974, John Stott disse que “evangelizar… não significa ganhar convertidos… significa apenas anunciar as boas novas, independentemente dos resultados”. Naquele congresso, evangelização foi definida nestes termos:
Evangelizar é propagar as boas novas de que Jesus Cristo morreu por nossos pecados e foi ressuscitado dentre os mortos, segundo as Escrituras; e, como o Senhor que reina, Ele oferece agora o perdão dos pecados e o dom libertador do Espírito a todos que se arrependem e crêem.

Quando entendemos que a evangelização não é converter as pessoas, e sim falar-lhes sobre a maravilhosa verdade a respeito de Deus e das boas novas sobre Jesus Cristo, então, a obediência à chamada para evangelizar pode tornar-se certa e produzir alegria. Entender isto fomenta a evangelização, à medida que esta deixa de ser motivada pelo forte senso de culpa e se torna um privilégio e alegria.
- trecho adaptado do capítulo 5 do livro Nove Marcas de Uma Igreja Saudável

Transcrição do vídeo: 

As pessoas naturalmente não creem em nossa mensagem. Homens amam as trevas ao invés da luz. Ao saber e ensinar isso, nós nos preservamos do erro de pensar que se mexermos os pauzinhos, conseguiremos a combinação certa que todos respondem. E até que consigamos que todos respondam, nós podemos continuar fazendo o que é quase certo. Muito cuidado com esse raciocínio, irmão pastor. Ele pode te levar para muito longe do evangelho bíblico que é tão impopular.Medite em Ezequiel 3 e o chamado que Deus deu a Ezequiel. Quantas igrejas parecem menosprezar, se não negar, a depravação natural e a perdição humana. Mas, amigos, João nos diz que aqueles que são do mundo não aceitarão o Evangelho. E qualquer evangelho que eles venham a aceitar, só aceitam por que foi adulterado. Não uma mudança neles, mas no evangelho que pregamos.Mas, amigos, quando entendemos isso direito, quando ensinamos que nós merecemos o julgamento de Deus, então protegemos a igreja daqueles “convertidos” que se ofendem com a ideia de que eles fizeram algo de errado. Algo tão errado que Deus deveria julgá-los. Imagine como essa humildade mais geral, como consideramos anteriormente, do incrível Julgamento de Deus, como ela é aumentada quando consideramos especificamente que nós merecemos esse Julgamento. Nosso senso geral da graça de Deus se torna um senso familiar da misericórdia de Deus que nós precisamos. Mas nós mesmos nunca merecemos. Mas alguém mereceu por nós.


Por Mark Dever. © T4G | Together for the Gospel. Todos os direitos reservados. Original: False Conversions: The Suicide of the Church (Session III)
Tradução: Alan Cristie. Revisão: Vinícius Musselman Pimentel – Ministério Fiel © Todos os direitos reservados. Website: blogfiel.com.br. Original: Falsos Convertidos: Um Produto de um Evangelho Deturpado
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